O Setor de TI

O mercado de tecnologia da informação no mundo. O mercado de TI mundial totalizou gastos de US$ 2,03 trilhões em 2016 segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software ("ABES"). De acordo com a associação, do total de gastos realizados, 54% estão relacionados a softwares (US$ 447 bilhões) e serviços (US$ 650 bilhões), e os 46% restantes à hardware (US$ 934 bilhões). Os principais mercados mundiais foram os Estados Unidos com US$ 730 bilhões, seguido por China com US$ 233 bilhões e Japão com US$ 121 bilhões. O Brasil foi o nono maior mercado, com gastos de US$ 38,5 bilhões em 2016. Os valores reportados pela ABES referem-se aos mercados internos de cada país, não sendo considerados os montantes de exportação.

O mercado de tecnologia da informação na América Latina. O mercado latino americano de TI movimentou US$ 105,3 bilhões em 2016 segundo a ABES. O Brasil foi o país de maior destaque na região, com gasto de US$ 38,5 bilhões (36,5% de participação). O México foi o segundo, com gastos de US$ 24,1 bilhões (22,9% de participação), seguido pela Colômbia com US$ 10,7 bilhões (10,2% de participação). Os valores reportados pela ABES referem-se aos mercados internos de cada país, não sendo considerados os montantes de exportação, e incluem software, serviços e hardware.

O mercado de tecnologia da informação no Brasil. O mercado brasileiro de software e serviços movimentou US$ 19,4 bilhões em 2016, segundo a ABES. Desse valor, US$ 8,7 bilhões foram destinados para softwares, representando 44,6%, e US$ 10,7 bilhões para serviços, representando 55,4%.

Entre os anos de 2006 e 2016, os segmentos de software e serviços apresentaram crescimento de 181%, o equivalente a uma taxa composta de crescimento anual de 11%. A tabela abaixo ilustra o crescimento anual dos segmentos de software e serviços entre 2006 e 2016 e seus respectivos gastos:

(US$ bilhões) 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Serviços 4,6 5,2 5,8 6,1 6,6 7,4 8,4 9,0 9,7 10,5 10,7
Software 2,3 2,7 3,4 3,8 4,1 4,5 5,4 6,1 6,9 8,6 8,7
Total 6,9 7,9 9,2 9,9 10,7 11,9 13,8 15,1 16,6 19,1 19,4
Crescimento - 13,7% 16,6% 7,5% 8,5% 11,5% 15,4% 10,0% 9,5% 15,5% 1,2%

Fonte: ABES 2017

O segmento de software pode ser dividido em quatro subsegmentos: (i) aplicativos, com gastos de US$ 3,8 bilhões; (ii) ambientes de desenvolvimento, com US$ 2,9 bilhões; (iii) infraestrutura e segurança, com US$ 1,8 bilhões; e (iv) produção local para exportação, com US$ 0,2 bilhão.

O segmento de serviços pode ser dividido em oito subsegmentos: (i) outsourcing, que movimentou U$$ 4,4 bilhões; (ii) serviços de suporte, com US$ 2,2 bilhões; (iii) integração de sistemas, com US$ 1,9 bilhões; (iv) consultoria e planejamento, com US$ 1,0 bilhão; (v) software sob encomenda, com US$ 0,5 bilhão; (vi) serviços para exportação, com US$ 0,5 bilhão; (vii) treinamento, com US$ 0,2 bilhão; e (viii) desenvolvido no exterior, com US$ 0,1 bilhão.

Por fim, o mercado brasileiro de software e serviços é altamente pulverizado, já que em 2016 era atendido por cerca de 15.707 empresas, sendo: (i) 6.365 dedicaram-se à distribuição e comercialização de softwares, representando 40,5%; (ii) 4.872 dedicaram-se ao desenvolvimento e produção de softwares, representando 31,0%, das quais 95,1% foram classificadas como micro e pequenas empresas (até 99 empregados); e (iii) 4.470 dedicaram-se à prestação de serviços, representando 28,5%.

Presença da vertical finanças no mercado brasileiro de T.I. Do ponto de vista do comprador, o mercado brasileiro de TI pode ser segmentado em verticais de negócios, sendo que a vertical finanças, em que atuamos, inclui empresas públicas e privadas, bancos, empresas de seguros, cartões de crédito, corretora de valores e todas as outras instituições financeiras. De acordo com dados da ABES, em 2016 o mercado doméstico de software movimentou US$ 9,5 bilhões (desenvolvido no exterior de US$ 6,5 bilhões, produção local de US$ 2,0 bilhões, e sob encomenda de US$ 1,0 bilhão), sendo 2,3 bilhões na vertical finanças, posicionando-a como a segunda maior, com participação de 24,5%, apesar da retração em dólares de 2,9% sobre 2015, conforme tabela abaixo:

Segmentação por vertical Mercado (US$ bilhões) Market Share (%) Crescimento no ano (%)
Serviços e Telecom 2,5 26,6 +3,6
Finanças 2,3 24,5 -2,9
Indústria 2,0 21,0 +0,2
Comércio 1,1 11,9 +0,3
Outros 0,6 5,7 -0,1
Governo 0,4 4,5 +0,1
Óleo e Gás 0,4 3,9 -1,6
Agroindústria 0,2 1,9 -1,5
Total 9,5 100,0%

Fonte: ABES 2017

Dessa forma, não existem dados oficiais que indiquem o tamanho ou nossa participação nos mercados em que atuamos. Contudo, podemos estimar o tamanho do nosso mercado, para nossas 3 unidades de negócios, da seguinte forma: (i) Software, os "Aplicativos" de US$ 3,8 bilhões, (ii) Projetos, os "Serviços de suporte" de US$ 2,2 bilhões e "Software sob encomenda" de US$ 0,5 bilhão, totalizando US$ 2,7 bilhões; e (iii) Outsourcing, o "Outsourcing" de US$ 4,4 bilhões. Sobre esse mercado de US$ 10,9 bilhões, aplicamos o percentual da vertical finanças (24,5%), chegando em um mercado de US$ 2,7 bilhões, que foi convertido para Reais à taxa de R$ 3,335/US$ do relatório da ABES, perfazendo um mercado endereçável de R$ 8,9 bilhões. Se considerarmos a receita líquida da Companhia em 2016 (R$ 84,6 milhões), podemos inferir uma participação de mercado por volta de 0,9% na vertical Finanças brasileira.

Mercado Finanças* Finanças** Receita de Companhia Market Share
(US$ bilhões) (US$ bilhões) (R$ bilhões) (R$ bilhões) (%)
Unid. Software¹ 3,8 0,9 3,1 0,051 1,6
Unid. Projetos² 2,7 0,7 2,2 0,008 0,4
Unid. Outsourcing 4,4 1,1 3,6 0,026 0,7
Total 10,9 2,7 8,9 0,085 0,9

Fonte: Estimativas da Companhia e ABES 2017

(¹Aplicativos; ²Serviços de suporte e Software sob encomenda; *Percentual de 24,5% da vertical; ** Convertido pela taxa de câmbio de R$ 3,335/US$)

Ao contrário do que se pode observar no contexto brasileiro, a vertical financeira no mundo é atendida por fornecedores globais, incluindo grandes corporações que geralmente operam com escopo amplo de atuação, fornecendo uma ampla gama de softwares e serviços. Algumas dessas empresas empreenderam tentativas de entrar no mercado brasileiro, contudo, enfrentam barreiras de entrada como: (i) a especificidade do mercado brasileiro quanto a produtos e formas de operação, o que acarreta na necessidade de consideráveis investimentos para adequação dos sistemas à realidade local; (ii) a inviabilidade de substituição dos sistemas já existentes de uma só vez, exigindo uma estratégia de migração por módulos, o que nem sempre é compatível com a estratégia comercial e de preços dos competidores internacionais; e (iii) o alto custo dos profissionais envolvidos nos processos de comercialização, adaptação à realidade brasileira e implementação dessas soluções, o que pode inviabilizar financeiramente os projetos.