O Setor de TI

O mercado de tecnologia da informação no mundo. O mercado de TI mundial totalizou gastos de US$ 2,2 trilhões em 2015 segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software ("ABES"). De acordo com a associação, do total de gastos realizados, 51% estão relacionados a softwares (US$ 440 bilhões) e serviços (US$ 682 bilhões), e os 49% restantes à hardware (US$ 1.078 bilhões). Em software e serviços, os principais mercados mundiais foram os Estados Unidos com US$ 470 bilhões, seguido por Reino Unido com US$ 83 bilhões e Japão com US$ 77 bilhões. O Brasil foi o oitavo maior mercado, com gastos de US$ 27 bilhões em 2015. Os valores reportados pela ABES referem-se aos mercados internos de cada país, não sendo considerados os montantes de exportação.

O mercado de tecnologia da informação na América Latina. O mercado latino americano de TI movimentou US$ 133 bilhões em 2015 segundo a ABES. O Brasil foi o país de maior destaque na região, com gasto de US$ 60 bilhões (45% de participação). O México foi o segundo, com gastos de US$ 26,8 bilhões (20% de participação), seguido pela Colômbia com US$ 10,2 bilhões (8% de participação). Os valores reportados pela ABES referem-se aos mercados internos de cada país, não sendo considerados os montantes de exportação, e incluem software, serviços e hardware.

O mercado de tecnologia da informação no Brasil. O mercado brasileiro de software e serviços movimentou US$ 27,5 bilhões em 2015, segundo a ABES. Desse valor, US$ 12,5 bilhões foram destinados para softwares, representando 45,6%, e US$ 15,0 bilhões para serviços, representando 54,4%.

De acordo com a ABES, os segmentos de software e serviços, mercados em que atuamos, cresceram 18%. Entre os anos de 2004 e 2015, os segmentos de software e serviços apresentaram crescimento de 216%, o equivalente a uma taxa composta de crescimento anual de 11%. A tabela abaixo ilustra o crescimento anual dos segmentos de software e serviços entre 2004 e 2015 e seus respectivos gastos:

(US$ bilhões) 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
Serviços 5,9 6,5 6,6 7,3 8,2 9,6 9,3 10,4 11,8 12,7 13,7 15,0
Software 2,8 2,7 3,2 3,8 4,8 5,4 5,8 6,2 7,4 8,6 9,6 12,5
Total 8,7 9,2 9,8 11,1 13,0 15,0 15,1 16,6 19,2 21,3 23,3 27,5
Crescimento - 6% 7% 13% 17% 15% 1% 10% 16% 11% 9% 18%

Fonte: ABES 2016

O segmento de software pode ser dividido em quatro subsegmentos: (i) aplicativos, com gastos de US$ 5,3 bilhões; (ii) ambientes de desenvolvimento, com US$ 4,2 bilhões; (iii) infraestrutura e segurança, com US$ 2,8 bilhões; e (iv) produção local para exportação, com US$ 0,2 bilhão.

O segmento de serviços pode ser dividido em oito subsegmentos: (i) outsourcing, que movimentou U$$ 6,1 bilhões; (ii) serviços de suporte, com US$ 2,7 bilhões; (iii) integração de sistemas, com US$ 2,2 bilhões; (iv) consultoria e planejamento, com US$ 1,5 bilhão; (v) software sob encomenda, com US$ 1,4 bilhão; (vi) serviços para exportação, com US$ 0,7 bilhão; (vii) treinamento, com US$ 0,3 bilhão; e (viii) desenvolvido no exterior, com US$ 0,1 bilhão.

Por fim, o mercado brasileiro de software e serviços é altamente pulverizado, já que em 2015 era atendido por cerca de 13.951 empresas, sendo: (i) 5.732 dedicaram-se à distribuição e comercialização de softwares, representando 41,1%; (ii) 4.408 dedicaram-se ao desenvolvimento e produção de softwares, representando 31,6%, das quais 95,1% foram classificadas como micro e pequenas empresas (até 99 empregados); e (iii) 3.811 dedicaram-se à prestação de serviços, representando 27,3%.

Presença da vertical finanças no mercado brasileiro de T.I. Do ponto de vista do comprador, o mercado brasileiro de TI pode ser segmentado em verticais de negócios, sendo que a vertical finanças, em que atuamos, inclui empresas públicas e privadas, bancos, empresas de seguros, cartões de crédito, corretora de valores e todas as outras instituições financeiras. De acordo com dados da ABES, em 2015 o mercado doméstico de software movimentou US$ 13,7 bilhões (desenvolvido no exterior de US$ 9,6 bilhões, produção local de US$ 2,7 bilhões, e sob encomenda de US$ 1,4 bilhão), sendo 3,4 bilhões na vertical finanças, posicionando-a como a segunda maior, com participação de 24,8%, e crescimento em dólares de 30,1% sobre 2014, conforme tabela abaixo:

Segmentação por vertical Mercado (US$ bilhões) Market Share (%) Crescimento no ano (%)
Serviços e Telecom 3,5 25,5 +32,4
Finanças 3,4 24,8 +30,1
Indústria 3,0 21,7 +25,8
Comércio 1,5 11,1 +30,2
Outros 0,9 6,3 +27,7
Governo 0,6 4,4 +22,6
Óleo e Gás 0,5 4,1 +25,3
Agroindústria 0,3 2,0 +25,3
Total 13,7 100,0%

Fonte: ABES 2016

Dessa forma, não existem dados oficiais que indiquem o tamanho ou nossa participação nos mercados em que atuamos. Contudo, podemos estimar o tamanho do nosso mercado, para nossas 3 unidades de negócios, da seguinte forma: (i) Software, os "Aplicativos" de US$ 5,3 bilhões, (ii) Projetos, os "Serviços de suporte" de US$ 2,7 bilhões e "Software sob encomenda" de US$ 1,4 bilhão, totalizando US$ 4,1 bilhões; e (iii) Outsourcing, o "Outsourcing" de US$ 6,1 bilhões. Sobre esse mercado de US$ 15,5 bilhões, aplicamos o percentual da vertical finanças (24,8%), chegando em um mercado de US$ 3,8 bilhões, que foi convertido para Reais à taxa de R$ 2,356/US$ do relatório da ABES, perfazendo um mercado endereçável de R$ 9,1 bilhões. Se considerarmos a receita líquida da Companhia em 2015 (R$ 75,3 milhões), podemos inferir uma participação de mercado por volta de 0,8% na vertical Finanças brasileira.

Mercado Finanças* Finanças** Receita de Companhia Market Share
(US$ bilhões) (US$ bilhões) (R$ bilhões) (R$ bilhões) (%)
Unid. Software¹ 5,3 1,3 3,1 0,044 1,4
Unid. Projetos² 4,1 1,0 2,4 0,008 0,3
Unid. Outsourcing 6,1 1,5 3,6 0,023 0,7
Total 15,5 3,8 9,1 0,075 0,8

Fonte: Estimativas da Companhia e ABES 2016

(¹Aplicativos; ²Serviços de suporte e Software sob encomenda; *Percentual de 24,8% da vertical; ** Convertido pela taxa de câmbio de R$ 2,356/US$)

Ao contrário do que se pode observar no contexto brasileiro, a vertical financeira no mundo é atendida por fornecedores globais, incluindo grandes corporações que geralmente operam com escopo amplo de atuação, fornecendo uma ampla gama de softwares e serviços. Algumas dessas empresas empreenderam tentativas de entrar no mercado brasileiro, contudo, enfrentam barreiras de entrada como: (i) a especificidade do mercado brasileiro quanto a produtos e formas de operação, o que acarreta na necessidade de consideráveis investimentos para adequação dos sistemas à realidade local; (ii) a inviabilidade de substituição dos sistemas já existentes de uma só vez, exigindo uma estratégia de migração por módulos, o que nem sempre é compatível com a estratégia comercial e de preços dos competidores internacionais; e (iii) o alto custo dos profissionais envolvidos nos processos de comercialização, adaptação à realidade brasileira e implementação dessas soluções, o que pode inviabilizar financeiramente os projetos.